quarta-feira, 11 de julho de 2018

Idolatria no movimento espírita



Desde tempos imemorais o Espírito ao se deparar com algo passa por cinco fases ante o objeto que não compreende: refutação, encantamento, admiração idolatria e racionalismo, sendo que as duas últimas depende do grau de evolução do mesmo.
Para ilustrar nossa reflexão, tomemos como exemplo o próprio Codifificador da D.E., ao se deparar com as mesas girantes. É público o primeiro contato de Kardec com as mesas, convidado por seu amigo Fortier (Obras Póstumas, FEB/1964 – págima 237) e a postura de refutação que o mesmo tem sobre o fenômeno atribuindo-o ao magnetismo pura e simplemente. Tempos depois Kardec vê o fenômeno e passa da refutação para o encantamento quando percebe que havia ali, mais que as danãs das mesas e sim respostas à perguntas objetivas.
Do encantamento à admiração ao fenômeno foi um passo e Kardec, acadêmico, homem de ciências e do pensar, decidiu investigar o que havia ali.
Essa é a grande encruzilhada que todo Espírito em algum momento da existência precisa escolher. Qual caminho seguir?  Como existência, aqui entendemos a trajetória do Espírito desde que foi criado simples e ignorante até tornar-se Espírito puro (Escala espírita LE questão 100).
Felizmente Kardec optou pelo racionalismo, o que possibilitou não atrelar a Doutrina Espirita nascente à dogmas, ritos e as vontades de gurus e salvadores de plantão.
A maioria dos Espíritos no entanto optam pelo caminho da idolatria. E neste caso começam os problemas. Não conseguem separar a admiração que sentem por determinado médium, orador, expositor, professor ou fenômeno em si da idolatria.
Caminho perigoso que já fez submergir dezenas de sistemas fiolosoficos e religiosos. A preguiça mental que impede esses Espíritos de pensar racionalmente, produz pessoas pasasivas, que não refutando, não questionando ideias e afirmações (por vezes teratológicas e anti doutrinárias) aceitam tudo como se fosse fato incontestável, enterrando um dos princípios basilares que Kardec nos legou: Mais vale rejeitar dez verdades do que admitir uma única mentira, uma única teoria falsa – ERASTO. O Livro dos Médiuns, item 230- infelizmente o movimento espírita em sua maioria enveredou pelo caminho da idolatria e abstém-se (por preguiça, má fé, ignorância ou comodismo) de buscar a verdade das coisas.
Obras literárias são escritas em profusão, levantando teorias das mais absurdas e são aceitas como verdades, só porque o médium é famoso ou o espírito comunicante tem alguma respeitabilidade.
Um claro exemplo disso pode ser visto na obra Infinitas Moradas – Bacelli, 2003 “ O corpo humano não está apto a receber entidades primárias, sem que o seu organismo perispiritual tenha, antes, humanizado a forma. Os primeiros nascimentos acontecem aqui!...
Ora, como aceitar tal afirmação se o próprio Kardec nos diz “Os sexos não existem senão no organismo; são necessários à reprodução dos seres materiais; mas os Espíritos, sendo a criação de Deus, não se reproduzem uns pelos outros, é por isto que os sexos seriam inúteis no mundo espiritual. (KARDEC, RE 1866, p. 3

Cabe a nós espiritas acalisar tudo e retermos o que é bom para a D.E. bem como para a propagação da verdade. Refutar o que parece estranho, nos  encantar  com o que parece sublime e verdadeiro, nos admirar do que de fato é elevado e optar pelo caminho da razão para que possamos conhecer a verdade que liberta.
Somente assim, seremos capazes de salvar a Doutrina Espírita dos misticimos, dogmas e exageros a que ela está mergulhada.
E salvá-la também de nós mesmos.

Alek Honse – é jornalista, filosofo, autor de Mariana – Um Mosaico de Canções e Lembranças ( clube de autores - https://www.clubedeautores.com.br/book/257178--Mariana?topic=musica#.W0TbXjozqUk ). Expositor Espírita.


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