quarta-feira, 11 de julho de 2018

A Doutrina Espírita não tem Rituais

“Espíritas!, amai-vos, eis o primeiro ensinamento. Instruí-vos, eis o segundo.– (Espírito de Verdade. Paris, 1860.)
Allan Kardec – O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. VI, item 5.


O Espiritismo é uma doutrina acessível a todos. Tem como base a certeza ( e não crença) da imortalidade da alma, na comunicabilidade dos espíritos, na reencarnação e na evolução progressiva do SER.

É uma doutrina que não tem rituais, nem sacerdotes, nem roupas especiais. É eminentemente cristã, pois um de seus livros básicos, O Evangelho Segundo o Espiritismo, tem como escopo levar aos homens a lição de Jesus em sua primitiva simplicidade.
Infelizmente, muitos espíritas, oriundos de outras correntes religiosas, estão infestando a D.E. com ritos.
Não é incomum ver nas casas espiritas práticas ritualísticas de outras religiões. Aqui  são pedras colocadas estrategicamente para energizar o ambiente. Ali, luzes de várias cores que servem para curar enfermidades, azul para isso, amarelo para aquilo, lilás para aquilo outro. Acolá, centros obrigam os trabalhadores a utilizarem a cor branca para melhor fruição dos trabalhos.
Há ainda os ritos de entrada, não se pode entrar e sair pela mesma porta.  O trabalho só pode acontecer se as portas estiverem fechadas para que espíritos inferiores não adentrem a sessão... há ainda cromoterapia, litografia, projeciologia, ufologia e tantos outros casos que foram com o tempo adquirindo status de verdade que já se confundem com a própria Doutrina.
Basta um médium famoso, um orador respeitado ou um periódico lançar a moda que pega.
Tudo isso nos afasta da simplicidade objetiva da D.E.
Livros são publicados aos borbotões e são consumidos com avidez pelos espiritas.
A Codificação elaborada com esforço hercúleo por Kardec vai saindo de cena.
Lê-se somente o Evangelho Segundo o Espiritismo e quiçá, alguma passagem do Livro dos Espíritos.
Mas ler não é estudar.
Estudar implica em decodificar o que está escrito, passar pelo crivo da razão, refutar, debater e só então aceitar o que a racionalidade nos permite.
Somente com esforço e estudo constante conseguiremos salvar a Doutrina Espírita do seu desvirtuamento.
Cabe a nós lembrarmos que todas as revelações em sua origem foram positivas. O decálogo mosaico foi (e continua sendo) essencial para nortear nossa conduta e nossa moral. Os prefeitos de Jesus são incontestáveis. A Doutrina espírita em sua origem, com o Pentateuco elaborado pelo codificador também o era.
Um caminho simples, direto e objetivo.
Infelizmente, assim como no passado deturpamos e ritualizamos a Lei Mosaica e os ensinamentos de Jesus, estamos fazendo o mesmo com a Obra do espirito da Verdade.
Ainda há tempo.
Estudar a Codificação como um todo, debater, buscar esclarecimentos e não dar margem a obras a alhures à D.E. é nosso papel enquanto portadores das verdades reveladas.
É preciso agir agora, combater os ritos para que possamos salvar a D.E. não dos detratores, mas sim de nós mesmos. Alex Honse. é expositor da Feesp, jornalista, filosofo e escritor. Autor de Mariana - Um Mosaico de canções e Lembranças (clube de autores, 456 páginas)

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